Ressonância magnética está para a psiquiatria assim como a angiografia está para a cardiologia?

Imagens intrincadas de dentro do corpo feitas por ressonância magnética (RM) têm nos impressionado há décadas. Prepare-se para se surpreender mais uma vez: imagens por ressonância magnética especializada estão criando detalhes tão claros, que agora a função das fibras da substância branca do cérebro pode ser estudada, um avanço que os cientistas esperam revolucionar os diagnósticos e tratamentos psiquiátricos.

A depressão está entre as doenças que os cientistas pretendem desvendar usando a RM com difusão, um exame de alta tecnologia que permite a visualização dessas fibras da substância branca em um único voxel (e além), a unidade de medida 3D usada nesses escaneamentos. As técnicas de difusão por RM possibilitam o exame detalhado de como a rede neural está funcionando e da integridade de suas conexões. Até agora, elas eram usadas para pesquisar uma variedade de patologias psiquiátricas; hoje, a esperança é avançar para exames individuais.

Segundo o artigo, esse novo patamar de imagens tem o potencial de criar para os psiquiatras “uma ferramenta equivalente à angiografia coronária da área cardiovascular”.

As imagens comuns de RM mostram informações estruturais de órgãos, além de dados como onde há um sangramento ou tumor. Na comparação de imagens do cérebro de pacientes lesionados com as de pacientes do grupo de controle, “em geral, não se encontra qualquer diferença nas imagens de RM das estruturas cerebrais”. “Tudo tem a mesma aparência e a mesma medida”, afirma o neurocientista Maller.

Mas muitos estudos já mostraram que uma concussão pode causar depressão, descoberta que possibilitou uma análise melhor de ampla gama de pacientes, desde jogadores de futebol até militares. “Agora sabemos que o desenvolvimento da depressão é algo funcional; alguma coisa acontece no funcionamento do cérebro, e não em sua estrutura.”

É aí que entra o uso de informações de RM com alta resolução de voxels. “Com essa técnica, que chamamos de tractografia, podemos medir a força das conexões”, explica Maller, que publicou muitos artigos sobre o tema e que antes era pesquisador sênior no centro de pesquisas em psiquiatria Monash Alfred, em Melbourne. “Aí é que estará a diferença, e é nisso que estará o diagnóstico: conseguir prever quais pacientes desenvolverão depressão após uma concussão.”

Maller está usando o protótipo de software da GE no console de RM para obter imagens melhores e, a partir delas, extrair mais informações do que era possível antes. Ensaios que usam a RM por difusão dessa maneira estão sendo iniciados em todo o mundo, e Maller afirma que um novo termo foi cunhado recentemente: psicorradiologia. “Ao invés de apenas dizer ‘Tem um tumor aqui’, ‘Tem um derrame aqui’, ‘Tem uma hemorragia aqui’, podemos dizer ‘Ah, o aspecto é relacionado com o comportamento’.”

Os estudos focam a previsão de quais pacientes irão desenvolver depressão e, depois, “o passo seguinte será usar as informações para prever quem responderá a qual tratamento e, assim, melhorar imensamente o prognóstico”. “É um momento empolgante para trabalhar com RM.”

 

Fonte: gereportsbrasil.com.br

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